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Carta aberta a António Alijó
Notícia publicada em 2010-02-11  


Esteve visível no Ecomuseu de Barroso - Espaço Padre Fontes, de 1 de Dezembro de 2009 a 31 de Janeiro de 2010, a exposição de quadros relacionados com temas de barroso da autoria de António Alijó. Durante este espaço de tempo foram muitos os visitantes que tiveram oportunidade de ver os trabalhos do “Homem da capa de burel”. Nesse sentido, foi redigido um texto de agradecimento ao autor pelo óptimo trabalho que fez sobre a nossa terra.


CARTA ABERTA



António Alijó “o Homem da capa de burel”


Texto: Ângela Branco
Exposição:Ecomuseu de Barroso – “Espaço Padre Fontes”
Data: Dezembro de 2009 e Janeiro de 2010
Título da Exposição: António Alijó


António Alijó, não se trata do mero “pintor de algibeira”, nele se espelha o amor pela terra e o fascínio pelas coisas simples da vida. Isso é visível no seu percurso profissional.
Foram vários os locais por onde passou, em todos eles conseguiu captar algo de genuíno e inimaginável, a simplicidade da natureza e a capacidade criadora do homem.
Em todos procurou encontrar “um lugar”, onde se podesse refugiar, e criar tudo aquilo que via e que simplesmente lhe chegava á imaginação. Por vários lugares passou, deixando sempre a sua marca, mas o tão ansiado lugar tardava em ser encontrado. A obra ia ficando, mas o lugar apenas era definido na mente do pintor e em cada quadro que pintava, o seu imaginário ia enchendo-se de lugares, mas não o seu lugar, o tão ansiado “abrigo, refúgio do medo e das incertezas”. Apenas tentava encontrar o seu lugar no mundo.
Muitas vezes foi incompreendido pelos outros, mas soube em cada quadro que pintava, em cada traço que “desferia”, bradar ao mundo, embora que pela pintura, as suas ideias, os pensamentos acerca do mundo e dos locais por onde passou. A sua visão embora ambígua e nem sempre perceptível aos olhos de todos, foi definindo-se e tornando-o no que é hoje, um visionário.
Em cada pintura foi espelhando o amor por cada lugar, por cada povo que visitava e conhecia. Não só pela pintura António Alijó é conhecido, para além desta paixão, conseguiu mudar o mundo pelas criações que foi fazendo na área da decoração, da arquitectura e fotografia. Num desses trabalhos teve a oportunidade de privar com o povo barrosão, povo esse ao qual se afeiçoou e posteriormente ganhou amizade. Em prol dessa amizade António Alijó concebeu um conjunto de pinturas, nas quais espelha a sua paixão por Barroso, inspirando-se em símbolos característicos deste povo, utilizando a tinta-da-china para lhes dar vida. Este conjunto de quadros foi exposto em conjunto com outros também da sua criação, os “Petroglifos”, no Ecomuseu de Barroso – “Espaço Padre Fontes”, em Montalegre. A exposição esteve patente de 1 de Dezembro de 2009 a 31 de Janeiro de 2010. Durante estes dois meses, tiveram oportunidade de vislumbrar esta exposição cerca de 3282 visitantes.
No concelho de Montalegre, António Alijó, conseguiu dar azo á sua paixão de criança e criar um novo imaginário acerca do mundo. Foi neste concelho que viu concretizada a sua paixão pelo mundo animal. Aqui conseguiu satisfazer a curiosidade por um animal que tanto admira, o Lobo Ibérico (Canis Lúpus Signatis).
Actualmente o homem e artista, vive no lugar que escolheu para dar continuidade á sua obra, no lugar do Ramilo, Gondarém, Vila Nova de Cerveira. O Homem que em Barroso, desfila de capa de burel na cabeça, tendo orgulho daquilo que por lá existe, hoje apenas se dedica à pintura, continuando assim a construir o seu próprio mundo, que embora imperceptível a todos os olhos, é algo genuíno e que demonstra a paixão e fascínio que este artista tem pelo belo das coisas simples.


Obrigado António, por teres escolhido ser BARROSÃO…


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